Eu estava distraída, descompromissada com o raciocínio, olhando as faixas da estrada. Foi aí que surgiu no retrovisor aquela imagem. Atrás de mim vinha veloz o passado, arrebatando a respiração, provocando a imaginação, galopando sem respeito por cima dos meus desejos simples.
Ilógica e diabólica coincidência, logo hoje que a melancolia se apossa de mim. Nas curvas procurei encaixar nossos olhares, o estranho hoje e o nosso futuro improvável. Possíveis são as escolhas, desenfreadas as paixões, absurdas as ilusões. Veio então uma boa e dura real reta, dessas que se ultrapassam caminhões gigantescos, e você num vulto instante passou por mim... Da janela eu vi alegrias acopladas no seu sorriso iluminado. Passou por mim, como se não me visse e não me viu, nem me invadiu como almejava, nem me feriu a carne mas dilacerou a alma. Cortou em pedaços as lembranças e esperanças tolas. Você passou por mim, não como um raio mas como um clarão de tarde de sol. Eu senti calor quando você passou, e náuseas recorrentes na medida em que apertava o peito aquele ar que se deslocou no tempo quando você cortou pela esquerda de mim. Entrelacei as mãos já convencida do repentino desespero da sua ultrapassagem, era amarga aquela imagem do passado que passou, ultrapassou e virou distância ali bem na minha frente...
Você aos poucos se distanciou, distanciou... Passou na pressa certa por mim e não me viu, ultrapassou no momento que deixou de existir para mim.
Amadurecida? Convencida? E foi se distanciando nas curvas, distanciando, me deixando pra trás nas retas e também nos quebra-molas. Eu permaneci impotente na velocidade cravada de 90km por nada, sozinha no vazio tosco da mudez, do pensamento esmagado do castelo aerado. Sumiu sem rastros, sem trevos nem desculpas. Chegamos ao mesmo destino em horários diversos e vidas distintas, um desencontro com ponto final, sem voltas e agora sem sonhos. Quando você passou por mim eu vi alegrias acopladas no seu sorriso iluminado, daquelas que um dia deixou em mim fogos de artifício. ‘2009’ assim passou, ultrapassou e sumiu na estrada.
Obrigada a todos que passaram por esta 'Ambição Literária' em 2009. Para 2010 ambiciono 'revê-los' por estes versos... Muita fé, saúde, paz no coração, coragem para se reinventar nos dias ruins, mais realizaçãoes e menos 'sonhar'. É o que desejo pra mim e para você!
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
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