
(...)Duas palmeiras caíram, uma viva e outra morta. A viva caiu rasgando o telhado de uma casa ao lado. Desceu desmaiada, sangrando seiva, escalpelada de suas ramagens, humilhada no tombo causado por um sopro doido e sem direção. Caiu no rumo das águas tímidas de um córrego que de vez em quando cisma que é tsunami.
A outra palmeira caiu já morta. Era pedra cantada. Todos sabem que quem morre cai. Até ela já sabia que tinha morrido e precisava cair... só que se esqueceram de derrubar. Quem lembrou foi o vento. Esse vento que veio e... zum! Madeeeira!!! Que madeira? O que caiu foi um cadáver imperial, infectado de fim. Mas caiu imponente. Desceu do alto dos séculos sem perder a raiz.
Agora, é varrer as folhas secas.(José Antônio)
Em seguida veio a serra elétrica derrubar sem piedade as outras condenadas já desfalcadas de copas. Foi dolorosa a despedida, triste, como tristes e dolorosas são as despedidas daqueles que viveram tanto. Era como se chorássemos por parentes, conterrâneos que sempre estiveram ali no Largo a nos saldar, mesmo que nós nem olhássemos. Mas agora fere, afronta o coração, dá saudades daquele conjunto de pilares com verdes topos envergados, à noite iluminados, emoldurando a lua cheia. Com somente quatro exemplares está vazio o jardim como uma alma pecadora que ainda não se redimiu.
Que venha a revitalização, um ressurgir de vidas novas como pede esperançosa esta praça e este povo. Com verba estadual de mais de R$100 mil, Instituto Estadual de Florestas (IEF), Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental (Codema), da Prefeitura, integrantes da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, da Companhia Industrial Fluminense, da Emater, do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (Iphan), dos Bombeiros, do 11o Batalhão de Infantaria de Montanha de São João del Rei, e o subsecretário de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), Rômulo Viegas, (ufa!) todos se empenharão para trazer ao São Francisco novas palmeiras. As mudas serão de espécies diferentes, as palmeiras reais roystonea regia que alcançam 25 metros, dez a menos que as imperiais. A justificativa da escolha é proporcionar maior segurança aos moradores do entorno da praça. Real mas não Imperial que elas sejam nobres na tarefa de povoar de exuberância novamente o lugar.
O objetivo das entidades é manter o projeto paisagístico original que foi elaborado no ano de 1850, no final do século XIX. E do qual eu tenho certeza não faz parte estes cafonas pingos-de-ouro cor de burro quando foge... ‘afemaria’, e outros arbustos sem nexo e sem flor que hoje habitam o jardim! Que venham para o desenho da Lira os manacás e magnólias a exalar perfumes! E para os netos vamos contar: Eu sou do tempo que no Largo de São Francisco existiam grandes palmeiras imperiais, muito maiores que estas que estão aí hoje, mas aí veio a velhice delas e uma praga, e depois um temporal...
Foto: Largo de São Francisco com suas palmeiras imperiais por Beni Jr
Querida amiga,
ResponderExcluirComo é bom ler tudo que você escreve... Consegue despertar em mim as mais profundas e saudosas lembranças da minha infância, da minha terra, da minha raiz...
Obrigada por me proporcionar momentos tão sublimes!
Te amo amiga
Bjs,
Dani
Como é bom saber que você passa por aqui...Volte sempre! Tb amo! Saudades!
ResponderExcluirCada vez que passo aqui fico mais ansiosa para chegar logo aí na terrinha! Adorei! Bjo, Ju.
ResponderExcluirCom certeza dói no coração...
ResponderExcluirKkzinha, vc sempre com essas lindas "letras" que me tocam lá no fundo!! Esse realmente é o seu dom e que lindoooo DOM que Deus te deu! Já estava passando da hora de colocar isso para fora e mostrar para todo mundo...
Saudadessssssssssssssssssss....
KK,
ResponderExcluiramo de paixão sua criatividade e seu toque especial...
amiga arrasou nesta colocação magnífica...(..."rezando terços com gotas de chuvas").
Parabéns, mil
As suas palavras soaram tão plangentes que me senti emocionado. Detalhe: Nem moro em SJDR. Parabéns!
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